Além da retenção sobre dividendos, a Lei 15.270/2025 criou a tributação mínima do imposto de renda da pessoa física para rendas elevadas. A ideia é garantir que quem tem rendimentos altos, muitas vezes isentos ou tributados a alíquotas baixas, pague ao menos um percentual mínimo sobre a renda total.
Quem é alcançado
A tributação mínima alcança as pessoas físicas com rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, considerados em conjunto, inclusive lucros e dividendos e outros rendimentos que hoje são isentos ou tributados de forma exclusiva, observadas as exclusões previstas na lei.
Como é calculada
A alíquota mínima cresce de forma gradual:
- começa em zero para rendas de R$ 600 mil;
- aumenta linearmente, pela fórmula prevista na lei, até chegar a 10% para rendas de R$ 1,2 milhão ou mais.
Do valor apurado, são descontados o imposto já pago ao longo do ano, inclusive a retenção sobre dividendos, e outros valores admitidos pela lei. Se o imposto efetivamente pago já atingir o mínimo, não há nada a complementar.
Primeira apuração
Como a regra vale para os rendimentos de 2026, a primeira apuração ocorre na declaração entregue em 2027. Por isso, as decisões tomadas ao longo de 2026 já influenciam o resultado.
Pontos de atenção
- Composição da renda: rendimentos isentos passam a contar para verificar o limite de R$ 600 mil.
- Estrutura societária: a forma de remuneração dos sócios e a política de distribuição de lucros influenciam o cálculo.
- Redutor para lucros já tributados na empresa: a lei prevê mecanismos para evitar que a carga somada da empresa e do sócio ultrapasse determinados limites. A aplicação exige cálculo cuidadoso.
Perguntas frequentes
Quem ganha menos de R$ 600 mil por ano é afetado?
Não pela tributação mínima. Ela se aplica apenas a rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, nos termos da lei.
A alíquota é sempre de 10%?
Não. Ela cresce gradualmente a partir de R$ 600 mil e chega a 10% para rendas de R$ 1,2 milhão ou mais.
Quando será a primeira cobrança?
Na declaração de 2027, referente aos rendimentos de 2026.
Como o escritório pode ajudar
Simulamos o impacto da tributação mínima sobre a renda da família e revisamos a estrutura societária e patrimonial, em conjunto com a contabilidade, para a tomada de decisões lícitas ainda em 2026.
Fontes
- Lei 15.270/2025 (Planalto)
- Receita Federal: perguntas e respostas sobre tributação de altas rendas
- ConJur: Imposto de Renda 2027, a preparação para a tributação mínima começa agora (23/07/2026)
- Migalhas: Reforma do IRPF, o que muda em cada faixa de renda com a Lei 15.270/25
- Migalhas: Novo regime de tributação mínima para altas rendas
Este tema faz parte da área de Direito Tributário do escritório.
Derick Heliston
Advogado e professor universitário, especialista em Planejamento Patrimonial e Sucessório. Presidente da Comissão de Holding, Planejamento Patrimonial e Sucessório da OAB/DF (Águas Claras) e da Comissão de Direito Empresarial da OAB/DF (Samambaia), professor com atuação em inteligência artificial aplicada ao Direito e Membro Consultor da Comissão Especial de Estudos sobre Holdings e Gestão Patrimonial do Conselho Federal da OAB.
Falar com um advogadoEste artigo tem caráter informativo e reflete a legislação e a jurisprudência na data de publicação. Ele não substitui a análise do caso concreto por advogado.